Foto: Clarisse Cintra
Cresci em um apartamento. Sempre adorei plantas, bichos e gente. Quando criança, nos finais de semana admirava as belas casas de Teresópolis enquanto passava horas em cima de um cavalo. Ou quando, com meus pais, vagávamos por ruas desconhecidas olhando os jardins, herdando aos poucos, o vício de admirar e valorizar o belo. Sempre sonhei em ter uma casinha pequena, estilo casa de boneca, com lareira, um gramado na frente e grandes arbustos floridos. E se tivesse uma única árvore, a felicidade estaria completa!
O fato é que meus olhos foram alfabetizados pela paisagem e meu interesse pelas plantas e bichos foram se acumulando. Tive a sorte de trabalhar em locais incríveis e com pessoas igualmente fascinantes. Trabalhei no Jardim Zoológico do Rio e no Parques e Jardins, na Secretaria de Meio Ambiente e de Educação, com educação ambiental, treinamentos, jardinagem, horticultura, compostagem, hortas comunitárias, defesa dos animais, hortas escolares, arborização pública, entre outros - com um público flutuando entre 2 e 100 anos, não alfabetizados ou pós-graduados, de todas as classes sociais.
Aprendi neste tempo de trabalho com o bem público que o maior e mais importante espaço de proteção ambiental e de mudança de hábitos e atitudes é o da própria casa (pra não dizer, o da própria cabeça). É o particular, o privado. Comecei a prestar atenção aos inúmeros espaços particulares que compõe uma cidade e como eles podem mudar sua configuração de bairro para bairro, de cidade para cidade, dependendo da relação que os moradores possuem com o patrimônio natural de sua casa e de sua rua, independente de sua classe social. Se juntarmos estes espaços particulares, eles ocupam um enorme território dentro das cidades e possuem uma importância ambiental ainda muito subestimada pelo poder público e pouquíssimo incentivada.
Passando todos estes anos na dependência de aprovação de projetos, aprovação de orçamentos, de desejos políticos ou hierárquicos, decidi pelo que me pareceu mais coerente diante de tanto conhecimento acumulado com o bem público e a tamanha vontade de fazer, aprender e ensinar. Me apaixonei perdidamente pelo meu próprio quintal.
Este blog é o diário da transformação de um espaço feio, com muro alto e grades em um espaço verde, produtivo e gradativamente, atrativo da fauna, incluindo as pessoas. É também um lugar para troca de experiências com outros quintais urbanos, comunitários ou não, criando a possibilidade de comunicação entre espaços particulares (em todos os sentidos) e o incentivo para a criação de outros quintais verdes e belos, ampliando as ilhas de vegetação em nossas cidades. Vamos fazer muitos quintais, varandas, muros, telhados, janelas e estantes verdes? Você tem vontade de produzir alimentos saudáveis e praticar a economia solidária? Gostaria de atrair alguns animais para perto de você? Conte então com este blog!

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