" Nunca deixe morrer o sonho de uma humanidade melhor." Leonardo Boff

domingo, 17 de abril de 2011

A História das Coisas



Claudia Magnanini


Cheguei hoje no trabalho e, entre a resposta de um papel e outro, estava escrevendo um texto para o blog. Foi quando, por trás da minha cabeça, escutei o seguinte comentário: “Nossa! Mas que laptop grosso! Este é antigo mesmo”, entre risinhos e outros adendos. Saindo em defesa do meu laptop (o nome já demonstra a sua origem Mesozóica), disse imediatamente que ele havia sido o top de linha de sua geração e que meu marido havia passado uma viagem inteira, de Nova Iorque ao Rio, carregando o bendito pra fora e pra dentro de um helicóptero, descendo durante semanas as três Américas. Sei lá porque disse isso, acho que para demonstrar sua origem adventure... Falei que tinha dado muitas aulas com ele, em diferentes lugares e outras inúmeras situações de igual importância (na minha cabeça, claro), numa falação tão desconexa que causou uma gargalhada geral diante da minha reação. Ah, mas eu fiquei muito ofendida! Como assim? Esse laptop tem história, pô! Não vai ser trocado por qualquer IPad metido à besta que não possui nem 30% das funções do meu “pesadão”. Ok, ele pesa uma tonelada, mas digamos que eu também já passei uns quinze quilos do meu peso, é a idade, a gente tem que entender que não dá pra ganhar todas.  Tá, ele também solta um arzinho quente inconveniente e às vezes dá saltos no texto e começa a escrever onde bem quer, independente da minha vontade. Personalidade forte, talvez? Mas ele tem uma tela ótima, enorme, com uma baita definição que é o que eu preciso, dado estar ficando cada vez mais cegueta. E ainda tem Wireless, umas cinco entradas USB, entrada pra internet a cabo, entrada para caixas de som home theatre, gravador de CD e leitor de DVD... Isso tudo desde 2003!! Ah, então não força, né gente? O cara consegue cumprir todas as funções, muito além das minhas expectativas, o que no fundo é o que interessa e que, cá pra nós, é raro acontecer. Então que fique aqui registrado. Podem comentar o que quiserem, rir da minha reação defensiva e dos meus óculos pra perto quase colados na telinha do velhusco, mas não vou trocar o meu coroinha clássico  por nenhum notebook, netbook, Ipad, ou similar esquálido, recém-saído das fraldas. Proponho um brinde, no meu caso com cafezinho de escritório: “Vida longa aos gordinhos de meia idade!” Tin tin!




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