1. Coloque pedras no fundo dos vasos que receberão os tomateiros para que a terra não entupa os furos de drenagem.
2. Coloque terra até a altura desejada. Lembre que a terra sempre abaixa após a rega.
3. Posicione a muda no centro do vaso e preencha com terra todo o espaço vazio até alcançar o colo do caule da planta.
4. Aperte bem a muda para fixar. Posicione o tutor junto a muda e amarre se precisar.
5. Para facilitar o manejo da planta já crescida, coloque também 3 apoios externos como os bambus da foto (em azul). Isto evitará que a muda tombe ou dará mais apoio para o amarrio.
6. Amarre as pontas dos bambus.
7. Cubra a terra com folhas secas (cobertura morta) e regue.
Existem várias maneiras de se fazer uma horta. Umas, mais complicadas do que outras. Nenhuma tão fácil como a gente imagina.
Uma horta urbana é bem diferente de uma rural. Em todos os sentidos. No espaço ocupado, na diversidade de espécies, na quantidade da produção e nos materiais utilizados e residuais. Ninguém vai querer produzir toneladas de alface em um quintal particular, escolar ou comunitário, não é mesmo? Vamos sempre querer produzir aquilo que gostamos ou achamos curioso. E para não sair pelo quintal sem saber o que fazer, precisamos de cara imaginar o que queremos como resultado do nosso trabalho.
Qual seria o objetivo de uma horta em casa (além dela servir como academia e obrigar você a pegar sol)? Na escola são os mesmos objetivos? E numa horta comunitária?
Vários podem ser estes objetivos. Curtir (sem compromisso com nada), conhecer o ciclo das plantas, produzir hortaliças e legumes para uma família de 5 pessoas, orientar mães para o aproveitamento integral dos alimentos, ensinar as crianças a cozinharem, produzir temperos para cozinha, praticar a economia solidária, discutir o meio ambiente local, produzir fibras e sementes para artesanato... São infinitas as possibilidades de trabalho. E também de prazer.
Estas hortas urbanas devem ser, necessariamente, orgânicas. Denominar uma horta como orgânica significa, neste caso, que o solo não leva adubação química de qualquer espécie, que as sementes não são tratadas com agrotóxicos e qualquer doença ou praga que aparecer será tratado de forma natural e sem química. Se estamos produzindo para consumo próprio, não necessitamos de certificação para os nossos produtos, não é mesmo? Mas devem ser tomados alguns cuidados essenciais:
A primeira condição para termos uma horta em casa é que o local escolhido receba, no mínimo, 6 horas de sol direto (batendo na planta). Se isso existe, o resto é mole de aprender.
A qualidade da água é fundamental. Não adianta plantar sem química e molhar com água de má qualidade ou contaminada. Se a sua água é tratada pelo órgão público de sua cidade ou estado, não existem restrições. Nunca utilize água de rios, riachos, lagos ou poços sem realizar antes a análise desta água em órgão competente.
Qualquer solo morto, ruim, seco, arenoso, compactado pode ser transformado com a adição de composto e húmus. Eles retornarão a vida ao solo. Você não precisa sair correndo para comprar terra se você já tem em casa. Se você não tem, você poderá fazer terra também! Mas tenha todo cuidado com solos contaminados por esgotos, aterros sanitários e vazamentos químicos de qualquer tipo ou tamanho. Neste caso é melhor optar por plantar em vasos com terra nova. Lembre sempre que você está produzindo alimento. E este alimento vai parar na sua boca!
Agora que a gente sabe que a horta deve ter pelo menos um objetivo, tem que pegar sol no mínimo por 6 horas, deve ter água limpa disponível para a rega e solo não contaminado para o plantio, vamos começar?
Em épocas de vazios na camada de ozônio e de vazios na percepção da cidade - coisa aparentemente avessa ao meio-ambiente natural - como agente de transformações ambientais e humanas, o Quintais Urbanos é bem-vindo. É mais que bem-vindo...
O Quintais, licença à intimidade com o blog tão recente, ele, por sua autora, acrescenta um espaço inédito e inteligente de estímulo à criação de médios, pequenos e, sobretudo, micro-lugares urbanos verdes, que, somados, parecem mesmo possuir o potencial de uma floresta. Das florestas do Rio, existentes e possíveis, mas também de quaisquer outras cidades.
Os vazios ociosos, impermeáveis, pouco observados, inóspitos, os prováveis quintais a serem construídos em espaços públicos e privados são incontáveis.
Quintais urbanos não são parques nem sítios, pelo que aprendi - são quintais de todos ou de alguém, de pessoas como nós. Por exemplo, interpreto que a grande área de confluência da Rua Silva Terra com Estrada Almirante Santiago Dantas em Guadalupe seja um quintal urbano.
Também será quintal urbano igual ao da imagem acima, o quintal de um apartamento da Rua Belford Roxo em Copa, desde que se confunda com uma jardineira no parapeito da janela, seja essa jardineira-quintal cuidada por uma família de uma pessoa ou por outra de oito. No Alto da Boa Vista o quintal talvez seja uma mini chácara. Na comunidade dos Mineiros, no Alemão, onde há mais espaço que no ap da Belford Roxo, deve haver lugar para um jardim no canto entre a casa e a passagem das pessoas.
Enfim, os quintais urbanos são múltiplos e polivalentes - não há fórmulas para se construir um. Além disso, para uma mais completa recomposição da camada de ozônio, que venham ainda pássaros, formigas e borboletas para os quintais num dia quente, em pleno mês de abril. E que esses quintais possam ser também um convite para um chá gelado na companhia das pessoas que gostamos!
O Gambá voltou e estava agora mesmo comendo as minhas batatas doces da jardineira! Corri para o quintal e usei a tática que meus consultores zoológicos me ensinaram - oferecer ração de cachorro para que ele pare de comer minhas plantas. Como eu não tenho mais cachorro, tasquei foi ração de gato mesmo. Também não tenho mais gato. Acho que de agora em diante, só vou ter gambá!
Desci com o saco de ração e ele (acho que é ela de novo) se apavorou e correu, escalou o varal e ficou de lá me olhando com o nariz empinado, me cheirando no ar. Fiquei dizendo: "Fica fria, Zóinho. Trouxe ração pra você. Eu sou legal, mas se você comer mais um galhinho de planta do meu quintal, tás despejado hoje mesmo!" E me mandei.
Quem olha um gambá assim, meio desavisado, pode até achar o danado um bicho feio. Talvez até seja. Mas que é mágico ver um animal eleger, sem mais nem menos, o seu quintal pra morar, ah, isso é! E os olhinhos? Pretinhos e redondos. Nariz de porquinho, mas alongado. Mãozinhas rápidas, curiosas e bastante eficientes. Muito eficientes, aliás! Subiu no varal e carimbou todas as roupas brancas com suas patinhas!
Tenho quase certeza que não é o mesmo gambá que foi despejado há uns dias atrás. Acho que por aqui tá um contando pro outro que, lá naquela casa amarela tem um muro (alto pacas, não sei como eles entram). Atrás deste muro tem um quintal. E neste quintal tem um pé de quiabo e umas batatas (tinha quiabo. Zóinho comeu o pé todo!). Tem também uma enorme caixa com minhocas e outras guloseimas. Uma cama especial, no meio de orquídeas gigantes. O chato são os Paparazzi que ficam à noite como malucos na janela. E aí, sem mais nem menos aparece uma criatura esquisita, uma medusa do outro mundo, te fotografa, conversa com você como se você fosse a coisa mais interessante e especial deste planeta, e no outro dia, zás, estás na rua de novo! Coisa do outro mundo, sô! Mas, ainda assim, vale o pernoite!
Acho que amanhã o João vai levar o "Zóinho" embora também.
Para situar o pessoal na estória, meu quintal fica em uma rua sem saída e próxima de muito verde, com quintais com cachorros de todos os tamanhos e gatos pela rua. Também recebemos visitas de tucanos, sagüis, morcegos, passarinhos de toda sorte, gaviões, garças e agora, depois de alguns anos, gambás.
Outro dia fui fazer umas sementeiras no quintal me preparando para mais um dia de transformação e plantios e vi que o quintal tava uma bagunça daquelas! Latas de sementes pelo chão, vidro quebrado, orquídeas e dois pés de quiabo derrubados. Fiquei arrumando e pensando que o vento não poderia ter feito aquilo. Foi quando vi que também os vasos das orquídeas menores estavam derrubados e, entre elas, o sujeito de toda aquela bagunça! Ele ficou parado, olhando para a parede, na certa pensando que estava invisível. Corri para pegar a máquina fotográfica e quando voltei, ele já estava dormindo outra vez. O interessante é que ele, dentre todos os vasos de plantas, escolheu um exatamente de seu tamanho. Me lembrou a estória da Cachinhos Dourados que entra na casa dos ursos e vai escolhendo o que lhe é perfeito! Inteligente, não?
Bom, tinha que ir para o trabalho e pedi para o João, um rapaz que trabalha em outra casa, que fizesse a gentileza de levar o gambá de volta para a mata.
No final da tarde o João passou lá, pegou o gambá (dormindo!!!) e levou embora. Era uma fêmea. De unhas amarelas. Ficamos triste com sua ausência e verificamos várias vezes naquela noite.se ela havia voltado.
Passaram exatamente dois dias até ela aparecer outra vez!
Cheguei hoje no trabalho e, entre a resposta de um papel e outro, estava escrevendo um texto para o blog. Foi quando, por trás da minha cabeça, escutei o seguinte comentário: “Nossa! Mas que laptop grosso! Este é antigo mesmo”, entre risinhos e outros adendos. Saindo em defesa do meu laptop (o nome já demonstra a sua origem Mesozóica), disse imediatamente que ele havia sido o top de linha de sua geração e que meu marido havia passado uma viagem inteira, de Nova Iorque ao Rio, carregando o bendito pra fora e pra dentro de um helicóptero, descendo durante semanas as três Américas. Sei lá porque disse isso, acho que para demonstrar sua origem adventure... Falei que tinha dado muitas aulas com ele, em diferentes lugares e outras inúmeras situações de igual importância (na minha cabeça, claro), numa falação tão desconexa que causou uma gargalhada geral diante da minha reação. Ah, mas eu fiquei muito ofendida! Como assim? Esse laptop tem história, pô! Não vai ser trocado por qualquer IPad metido à besta que não possui nem 30% das funções do meu “pesadão”. Ok, ele pesa uma tonelada, mas digamos que eu também já passei uns quinze quilos do meu peso, é a idade, a gente tem que entender que não dá pra ganhar todas. Tá, ele também solta um arzinho quente inconveniente e às vezes dá saltos no texto e começa a escrever onde bem quer, independente da minha vontade. Personalidade forte, talvez? Mas ele tem uma tela ótima, enorme, com uma baita definição que é o que eu preciso, dado estar ficando cada vez mais cegueta. E ainda tem Wireless, umas cinco entradas USB, entrada pra internet a cabo, entrada para caixas de som home theatre, gravador de CD e leitor de DVD... Isso tudo desde 2003!! Ah, então não força, né gente? O cara consegue cumprir todas as funções, muito além das minhas expectativas, o que no fundo é o que interessa e que, cá pra nós, é raro acontecer. Então que fique aqui registrado. Podem comentar o que quiserem, rir da minha reação defensiva e dos meus óculos pra perto quase colados na telinha do velhusco, mas não vou trocar o meu coroinha clássicopor nenhum notebook, netbook, Ipad, ou similar esquálido, recém-saído das fraldas. Proponho um brinde, no meu caso com cafezinho de escritório: “Vida longa aos gordinhos de meia idade!” Tin tin!
Cresci em um apartamento. Sempre adorei plantas, bichos e gente. Quando criança, nos finais de semana admirava as belas casas de Teresópolis enquanto passava horas em cima de um cavalo. Ou quando, com meus pais, vagávamos por ruas desconhecidas olhando os jardins, herdando aos poucos, o vício de admirar e valorizar o belo. Sempre sonhei em ter uma casinha pequena, estilo casa de boneca, com lareira, um gramado na frente e grandes arbustos floridos. E se tivesse uma única árvore, a felicidade estaria completa!
O fato é que meus olhos foram alfabetizados pela paisagem e meu interesse pelas plantas e bichos foram se acumulando. Tive a sorte de trabalhar em locais incríveis e com pessoas igualmente fascinantes. Trabalhei no Jardim Zoológico do Rio e no Parques e Jardins, na Secretaria de Meio Ambiente e de Educação, com educação ambiental, treinamentos, jardinagem, horticultura, compostagem, hortas comunitárias, defesa dos animais, hortas escolares, arborização pública, entre outros - com um público flutuando entre 2 e 100 anos, não alfabetizados ou pós-graduados, de todas as classes sociais.
Aprendi neste tempo de trabalho com o bempúblico que o maior e mais importante espaço de proteção ambiental e de mudança de hábitos e atitudes é o da própria casa (pra não dizer, o da própria cabeça). É o particular, o privado. Comecei a prestar atenção aos inúmeros espaços particulares que compõe uma cidade e como eles podem mudar sua configuração de bairro para bairro, de cidade para cidade, dependendo da relação que os moradores possuem com o patrimônio natural de sua casa e de sua rua, independente de sua classe social. Se juntarmos estes espaços particulares, eles ocupam um enorme território dentro das cidades e possuem uma importância ambiental ainda muito subestimada pelo poder público e pouquíssimo incentivada.
Passando todos estes anos na dependência de aprovação de projetos, aprovação de orçamentos, de desejos políticos ou hierárquicos, decidi pelo que me pareceu mais coerente diante de tanto conhecimento acumulado com o bem público e a tamanha vontade de fazer, aprender e ensinar. Me apaixonei perdidamente pelo meu próprio quintal.
Este blog é o diário da transformação de um espaço feio, com muro alto e grades em um espaço verde, produtivo e gradativamente, atrativo da fauna, incluindo as pessoas. É também um lugar para troca de experiências com outros quintais urbanos, comunitários ou não, criando a possibilidade de comunicação entre espaços particulares (em todos os sentidos) e o incentivo para a criação de outros quintais verdes e belos, ampliando as ilhas de vegetação em nossas cidades. Vamos fazer muitos quintais, varandas, muros, telhados, janelas e estantes verdes? Você tem vontade de produzir alimentos saudáveis e praticar a economia solidária? Gostaria de atrair alguns animais para perto de você? Conte então com este blog!